Por: Regiane Nepomuceno

Preciso começar admitindo uma coisa: não sou fã de drama de terror. Sou medrosa ao ponto de ter tido pesadelo depois de assistir Love of the Red Sky, na Viki. Então, se você também sente um friozinho na barriga só de pensar em espíritos e maldições, saiba que já temos isso em comum antes mesmo de falar sobre a obra.

Dito isso, A Leste do Palácio me pegou de surpresa em vários momentos. A produção consegue equilibrar elementos de fantasia, terror, ação e as disputas de poder que já conhecemos bem dos dramas de época, mas faz isso de um jeito que foge do previsível. Assim que você acha que entendeu para onde a história está indo, ela muda de direção. E quando parece que finalmente decifrou o mistério por trás dos acontecimentos, surge algo completamente diferente do que se esperava.

A base mitológica ajuda bastante nesse efeito. O drama conecta o mundo dos vivos ao Reino de Gwi e deixa claro que os espíritos vingativos que assombram a corte não surgem do nada. Eles são consequência direta das injustiças, das mortes e das decisões violentas cometidas pela própria monarquia ao longo do tempo. Essa construção dá um peso maior à história, porque o terror deixa de ser gratuito e passa a carregar uma crítica sobre poder e responsabilidade. A mensagem que fica é que força não resolve tudo, e que a verdadeira libertação, tanto dos vivos quanto dos mortos, depende de arrependimento genuíno.

As atuações também merecem destaque. Nam Joo-hyuk, Roh Yoon-seo e Cho Seung-woo constroem personagens com camadas, e isso ajuda a sustentar uma trama que já é densa por natureza. Tem uma influência clara de Stranger Things na forma como o drama constrói seu mundo invertido, com uma estética muito parecida e cenas que exploram bem esse universo fantasmagórico. O contraste entre o palácio, frio e organizado, e o mundo espiritual, marcado pela destruição, é reforçado por uma fotografia impecável, além de figurinos, maquiagem e cenários muito bem trabalhados.

Cena do drama – Netflix

Por outro lado, o roteiro é o ponto mais frágil da produção. As regras que regem o mundo sobrenatural nem sempre ficam claras, algumas perguntas simplesmente não são respondidas, o ritmo oscila bastante e certas revelações acontecem de forma apressada demais para o peso que deveriam ter. Personagens secundários que tinham potencial, como o príncipe Ik-sang e a xamã, acabam ficando pelo caminho sem o desenvolvimento que mereciam.

Um ponto que me incomodou pessoalmente foi a forma como alguns personagens do mundo espectral foram construídos. Em vez de causarem medo, como seria de se esperar, alguns deles pareciam mais próximos de criaturas alienígenas do que de fantasmas propriamente ditos. Um em especial acabou funcionando quase como alívio cômico, o que enfraquece ainda mais a tensão que o drama tenta construir.

Cena do drama – Netflix

Quem espera romance vai se decepcionar, pelo menos por enquanto. Existe um indício de que algo pode se desenvolver entre os protagonistas, mas isso provavelmente ficará para uma eventual segunda temporada. O que temos aqui é uma relação de amizade ambígua, mas com força suficiente para que um personagem arrisque a própria vida pelo outro.

Não é fácil analisar um gênero que não costuma agradar meu paladar como espectadora, mas mesmo com as falhas de roteiro, A Leste do Palácio entrega uma experiência positiva. Para quem gosta de fantasia sombria, histórias de fantasmas e lendas coreanas, vale muito a pena.

Ficha Técnica

Título A Leste do Palácio
Título original 동궁 (Donggung)
Título alternativo The East Palace
Gêneros Ação, Histórico, Terror, Fantasia
Estreia 17 de julho de 2026
Episódios 8
Duração 60 min por episódio
Direção Choi Jung Gyu (최정규)
Roteiro Seo Jae Won (서재원) e Kwon So Ra (권소라)
Onde assistir Netflix
Nota da resenha 8/10