A atriz Ha Young se tornou alvo de uma crescente controvérsia na Coreia do Sul após informações sobre o passado de seu bisavô, o médico Ahn Sang Ho, durante o período da ocupação japonesa, virem à tona. O caso ganhou novas proporções após a descoberta de que ele chegou a ser apresentado pela cidade de Anyang como um ativista da independência.
A discussão começou depois que Ha Young participou do programa “Problem Child in House”, da KBS2, e falou sobre sua família ter quatro gerações ligadas à medicina. Durante a conversa, ela mencionou que seu bisavô havia estudado medicina no Japão, aberto uma clínica de medicina ocidental em Hanyang, atual Seul, e tratado o imperador Gojong.
Após a exibição do programa, internautas identificaram o bisavô mencionado pela atriz como Ahn Sang Ho, informação posteriormente confirmada por sua agência, a BISTUS Entertainment.
Registros históricos provocaram a controvérsia
Com a identificação, começaram a circular registros históricos apontando que Ahn Sang Ho constava, em 1916, como membro do conselho do Daejeong Chinmokhoe.
Segundo documentos citados pela imprensa sul-coreana, a organização foi descrita pela polícia do Governo Geral Japonês da Coreia, em 1927, como um grupo que reconhecia o domínio do governador geral e defendia a assimilação entre japoneses e coreanos.
As informações deram origem às acusações de que Ahn Sang Ho teria desenvolvido atividades pró Japão durante o período colonial.
Agência negou as acusações e voltou atrás
Inicialmente, a BISTUS Entertainment reagiu afirmando que as alegações sobre o passado de Ahn Sang Ho eram “infundadas”.
A posição, no entanto, mudou após uma nova verificação dos documentos.
Em 11 de agosto, a agência divulgou outro comunicado reconhecendo que havia, de fato, um registro de Ahn Sang Ho como membro do conselho do Daejeong Chinmokhoe em 1916.
A empresa pediu desculpas por ter classificado as informações como infundadas antes de realizar uma apuração suficiente e reconheceu que deveria ter sido mais cuidadosa ao tratar de fatos históricos.
Cidade de Anyang já havia apresentado Ahn Sang Ho como ativista da independência
Em meio à repercussão, outro episódio envolvendo Ahn Sang Ho veio à tona.
Em 2020, a cidade de Anyang publicou em seu blog oficial um conteúdo produzido por um repórter cidadão para celebrar os 75 anos da libertação da Coreia. A publicação fazia parte de uma iniciativa sobre os ativistas da independência de Anyang e incluía Ahn Sang Ho entre eles.
Após a atual controvérsia, a prefeitura tornou a publicação privada em 11 de agosto.
Um representante da cidade afirmou à Yonhap News Agency que as informações sobre as supostas atividades pró Japão de Ahn Sang Ho não eram conhecidas pelo município quando o conteúdo foi publicado.
Ha Young pede desculpas pessoalmente
No dia 12 de agosto, Ha Young decidiu se pronunciar por meio de uma carta escrita à mão publicada em suas redes sociais.
A atriz afirmou que conhecia apenas fragmentos da trajetória de seu bisavô por meio das histórias transmitidas dentro de sua família. Ela reconheceu que chegou a falar publicamente sobre ele como motivo de orgulho familiar sem conhecer completamente seu passado.
Ha Young contou que começou a pesquisar documentos relacionados ao bisavô depois que a controvérsia surgiu e, a partir disso, tomou conhecimento dos registros sobre suas atividades pró Japão.
A atriz também assumiu parte da responsabilidade pelo primeiro comunicado de sua agência, que havia classificado as informações como infundadas.
Segundo Ha Young, como ela própria não conhecia os fatos naquele momento, uma resposta incorreta acabou sendo divulgada sem a verificação necessária.
Ela pediu desculpas pela confusão e afirmou que pretende estudar com maior profundidade tanto a história de sua família quanto o período colonial coreano.
Repercussão também atingiu trabalhos publicitários
A controvérsia ultrapassou as redes sociais e começou a atingir trabalhos ligados à imagem da atriz.
Segundo a imprensa sul-coreana, conteúdos publicitários e materiais com Ha Young foram retirados ou tornados privados por marcas e instituições que já haviam trabalhado com ela, incluindo ATT, Samsung Electronics, Naver, PROJECT M e o Ministério da Saúde e Bem Estar da Coreia do Sul.
Além disso, novas alegações sobre outros integrantes da família começaram a circular. Entre elas está uma afirmação de que a bisavó de Ha Young seria filha de um oficial militar japonês ligado ao Governo Geral Japonês da Coreia. Essa informação aparece nas reportagens como uma alegação e não deve ser tratada como fato confirmado.
Ha Young encerrou seu pronunciamento afirmando que pretende demonstrar sua postura não apenas por palavras, mas também por ações, além de prestar maior respeito às pessoas que participaram do movimento de independência e da libertação da Coreia.
Fontes: Soompi, Allkpop e Yonhap News Agency