Por: Regiane Nepomuceno

Mudar o nome de um projeto consolidado dá um frio na barriga de qualquer criador de conteúdo ou empreendedor. Foram 5 anos construindo reconhecimento, memória afetiva e comunidade. Mas, às vezes, o amadurecimento profissional e o respeito pelo nosso público nos exigem coragem para evoluir.

Compartilho abaixo a reflexão por trás da transição do Hora de Doramear para o Hora de Dramear, e como o ato de nomear também é uma decisão de respeito cultural. 👇

Em janeiro de 2021, nasceu o Hora de Doramear.

A ideia surgiu depois que comecei a assistir dramas asiáticos, ainda em 2020. Quanto mais histórias eu conhecia, mais sentia necessidade de conversar com alguém sobre personagens, cenas, finais, novidades e tudo o que aquele universo despertava em mim.

Como boa mineira, juntei duas palavras que faziam sentido naquele momento: “dorama” e “prosear”.

Assim nasceu o Hora de Doramear, um espaço criado para conversar, trocar ideias, sorrir, se emocionar e compartilhar os pequenos surtos que acompanham quem vive cada história intensamente.

Durante cinco anos, esse nome representou uma parte importante da minha vida. Mas, ao longo desse caminho, não foi apenas o projeto que cresceu. Eu também cresci, aprendi e passei a enxergar esse universo de outra forma.

Quanto mais dramas eu assistia, mais curiosidade sentia pelas culturas, pelos idiomas, pelas pessoas e pelas histórias presentes em cada produção. Aos poucos, compreendi que aquele universo era muito maior do que uma série exibida na televisão ou em uma plataforma de streaming.

Ao mesmo tempo, as produções asiáticas começaram a conquistar ainda mais espaço no Brasil. A palavra “dorama” se popularizou, passou a ser utilizada por diferentes públicos e, em 2023, foi incluída pela Academia Brasileira de Letras em seu vocabulário.

Foi também nesse período que comecei a acompanhar discussões levantadas por pessoas asiáticas, especialmente coreanas, sobre o uso da palavra.

“Dorama” tem origem japonesa e, portanto, não representa de forma precisa produções coreanas, chinesas, tailandesas ou de outras nacionalidades. Embora o termo tenha adquirido um significado mais amplo no Brasil, passei a compreender que utilizá-lo como definição geral poderia apagar diferenças culturais importantes.

Essa reflexão não eliminou o carinho que tenho pelo nome Hora de Doramear. Ele sempre fará parte da minha história, assim como a primeira imagem utilizada no perfil, uma foto da atriz Park Bo Young, e todas as pessoas que acompanharam o projeto desde o início.

Mas amadurecer também significa reconhecer quando alguma coisa já não representa aquilo em que acreditamos.

A maior parte das produções que assisto são dramas coreanos. Nos últimos anos, também comecei a explorar mais os dramas chineses. Considerando o significado original da palavra, percebi que eu quase não assistia, de fato, a dramas japoneses.

O nome havia deixado de representar o conteúdo, a comunidade e o posicionamento que eu desejava construir.

Por isso, o Hora de Doramear precisava chegar ao fim.

Não o projeto, não a página e muito menos a comunidade.

Apenas o nome.

Assim nasceu o Hora de Dramear.

Para algumas pessoas, pode parecer uma mudança pequena. Para mim, foi uma das decisões mais difíceis desde a criação do perfil.

Foram cinco anos falando, escrevendo e apresentando uma marca. Cinco anos construindo reconhecimento, memória afetiva e pertencimento ao redor daquele nome. Mudar significa reaprender a falar, escrever, apresentar e explicar o projeto.

Mas também significa colocar em prática algo que passei a acreditar profundamente:

Nomear também é uma forma de respeitar.

Ao adotar o nome Hora de Dramear, o projeto passa a acolher de maneira mais ampla dramas coreanos, chineses, japoneses, tailandeses e produções de diferentes países asiáticos. A mudança não rejeita o passado. Ela reconhece tudo o que foi construído e abre espaço para uma nova fase, mais consciente, inclusiva e coerente com os valores atuais do projeto.

Não pretendo determinar quais palavras outras pessoas ou páginas devem utilizar. Cada projeto tem sua trajetória, seu público e seu próprio processo de aprendizado. Mas espero que essa decisão possa contribuir para uma conversa importante dentro da comunidade. Uma conversa sobre cultura, linguagem, escuta e respeito.

Mudar também é uma forma de demonstrar que aprendemos. Que crescemos.

Que temos coragem de reconhecer quando algo deixou de fazer sentido e de seguir por um caminho mais alinhado com aquilo em que acreditamos. O Hora de Doramear sempre fará parte da minha história, mas agora começamos um novo capítulo.

Continuaremos conversando, compartilhando notícias, acompanhando lançamentos, vivendo histórias e realizando o Hora de Dramear Awards.

A essência continua a mesma. O que muda é a forma como escolhemos representar tudo o que construímos.

Seja bem vindo, Hora de Dramear.

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